Dois indicadores recentes desenham o mesmo quadro: as expectativas de inflação voltaram a subir e a atividade industrial segue fraca — combinação que tende a manter o custo de capital elevado e a demanda sob pressão.
Fontes oficiais: Banco Central (Boletim Focus, 28/09/2026) e IBGE (Pesquisa Industrial Mensal, agosto/2026, divulgada em 02/10/2026). Status: dados divulgados. As projeções do Focus são medianas de mercado, não previsão oficial do BC; confirme sempre o inteiro teor nas fontes oficiais.
A mediana do mercado para o IPCA de 2026 subiu de 4,92% para 4,99%, aproximando-se do teto da meta, enquanto a projeção de PIB recuou de 1,88% para 1,86%. A Selic projetada para o fim de 2026 foi mantida em 13,50% e o dólar segue em torno de R$ 5,20.
A produção industrial caiu 0,6% de julho para agosto de 2026; 16 dos 25 ramos pesquisados recuaram e, frente a agosto de 2025, a indústria recuou 1,2%. O resultado reforça um cenário de atividade fraca.
Inflação resistente e perto do teto, somada a uma indústria que não reage, sustenta a leitura de Selic alta por mais tempo. Para as empresas, isso significa crédito caro, capital de giro pressionado e demanda morna ao mesmo tempo.
O recado para o planejamento é de caixa defensivo: revisar a projeção de fluxo de caixa assumindo juros altos por mais tempo, ter cautela com novos investimentos e alavancagem, e reforçar a gestão de prazos, inadimplência e capital de giro.
Na ponta comercial, demanda fraca exige disciplina de precificação e margem: repasses precisam ser calibrados para não sacrificar volume. É o tipo de cenário em que decisão baseada em dado — e não em impressão — separa quem protege resultado de quem só reage.