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Economia da semana: dólar sobe a R$ 5,44, o Fed segura os juros e o Copom decide a Selic em 4 de novembro

O Focus apontava dólar a R$ 5,05 e corte da Selic; a semana trouxe dólar a R$ 5,44, Fed em pausa e aposta de pausa no Copom de 62%. Os números, o que ainda não aconteceu e as decisões de preço, caixa e contratos.

Banco Central · Focus · Federal Reserve · FGV/IBRE · matérias de 26/10 a 30/10/2026

Câmbio rompe a trajetória do Focus

O quadro macro da semana tem duas peças que apontam em direções opostas. O Relatório Focus de 26/10 reduziu as projeções: IPCA 2026 em 5,19%, PIB 2026 em 1,80% e dólar de R$ 5,05 no fim do ano. Mas o dólar comercial fechou a sexta-feira, 30/10, a R$ 5,44, alta de 1,05% no dia, 9,04% na semana e cerca de 5,20% em outubro, depois de R$ 4,9931 em 23/10. A projeção do Focus de R$ 5,05 ficou, portanto, superada pelo mercado em menos de uma semana, e a média das projeções deve ser revista nas próximas rodadas.

IndicadorNúmeroData ou fonteLeitura
Dólar comercialR$ 5,44 (R$ 4,9931 em 23/10)Fechamento de 30/10Alta de 9,04% na semana, acima da projeção do Focus
Selic13,75% ao anoVigenteCopom decide em 4/11
Focus: Selic fim de 2026 e de 202713,25% e 11,75%Focus de 26/10Projeções de mercado, não metas
Focus: IPCA 2026 e 20275,19% e 4,34%Focus de 26/10Acima do teto da meta em 2026
Focus: PIB 20261,80%Focus de 26/10Crescimento fraco
IGP-M outubro1,47% (setembro: 1,57%)FGV/IBRE, 29/10Acumula 4,97% no ano e 5,24% em 12 meses
Fed3,75% a 4,00% ao anoFOMC de 28/10Manutenção por 10 votos a 2
Probabilidade de pausa no CopomDe 17,5% para 62%Mercado, 28/10Depois do Fed e do câmbio

Juros: o que o Fed e o dólar fazem com o Copom de 4/11

Na segunda-feira, 26/10, a leitura predominante era de corte da Selic para 13,50%. Na quarta, 28/10, o Fed manteve a taxa dos EUA em 3,75% a 4,00%, com dois diretores defendendo até alta de 0,25 ponto, e com inflação americana de 3,7% em 12 meses. Juros externos firmes e dólar acima de R$ 5,40 tiraram a folga do Banco Central: a aposta de pausa saltou de 17,5% para 62% em um dia. A decisão do Copom está marcada para 4/11, e ainda não ocorreu; qualquer número acima é cenário de mercado. O IPCA de outubro sai em 12/11, com o IPCA de 12 meses em 4,58% em setembro e o IPCA-15 de outubro em 4,62%.

IGP-M: desacelera no mês, mas acumula na cadeia

O IGP-M de outubro subiu 1,47%, ante 1,57% em setembro. No ano, acumula 4,97%, e em 12 meses 5,24%, contra apenas 0,92% um ano antes. O IPA (atacado) subiu 1,93% e é o motor; o IPC avançou 0,45%, com alimentação mais forte e habitação mais fraca por conta da energia residencial; o INCC subiu 0,35%. Como o IGP-M reajusta aluguéis comerciais e muitos contratos de energia, frete e insumos, a desaceleração do mês não apaga o acúmulo do ano.

Inflação e dólar ajudam ou atrapalham conforme a semana, mas o juro alto é a variável que mexe no caixa de todo mundo.Leitura da Conceito Soluções Empresariais

O que a combinação significa para o setor de bebidas

O dólar entra no custo da bebida por três portas: a resina PET e as embalagens plásticas, os acidulantes e aditivos importados, como o ácido cítrico de origem asiática, e o alumínio da lata. O açúcar, de origem local, sofre efeito indireto pelo mercado externo e pelo etanol. O efeito chega com defasagem de um a três meses, amortecido por estoques e contratos. Quem repõe no fim do ano, na véspera do verão, compra no câmbio novo. Ao mesmo tempo, a inflação de 12 meses acima do teto limita o repasse integral, porque o consumidor de bebida reage a preço. O juro alto encarece o capital de giro do estoque de verão.

Leitura da Conceito

Três decisões. Preço: calcular a tabela pelo custo de reposição, e não pelo custo médio do estoque, nos itens de maior peso de PET e acidulantes, com repasse seletivo por embalagem e canal. Caixa: testar o fluxo com dólar entre R$ 5,30 e R$ 5,70 e Selic estável por dois trimestres, sem apostar em corte que ainda não ocorreu. Contratos: negociar prazos e travas cambiais com fornecedores antes do pico de verão, revisar cláusulas de indexação (IGP-M versus IPCA) nas renovações e provisionar reajustes que aniversariam agora. Com dívida pós-fixada, avaliar travar parte em prefixado depois do Copom. As causas do movimento cambial não foram verificadas em fonte primária nesta edição; o texto se limita aos números de fechamento.

Pontos-chave

Conteúdo autoral produzido a partir de fontes públicas; projeções são expectativas de mercado, não garantias. Não constitui recomendação de investimento ou de câmbio.

Fontes: Banco Central — Relatório Focus · Federal Reserve — FOMC · FGV/IBRE — IGP-M · Brasil 61 — dólar.

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