Na primeira semana de setembro, o dólar comercial cedeu para R$ 5,1253 e o açúcar cristal bateu novo recorde a R$ 116,79 a saca. Com a Selic em 14% e o Copom marcado para 15 e 16 de setembro, a formação de estoque para o verão entra na reta decisiva com sinais trocados.
A semana consolidou um movimento de alívio no câmbio e pressão no insumo doméstico. O dólar comercial fechou 04/09 a R$ 5,1253 (PTAX), ante R$ 5,1965 no encerramento do ciclo anterior (28/08) — recuo de cerca de 1,4% no período, ainda que com alta pontual de 0,57% na sexta. Na direção oposta, o açúcar cristal CEPEA/ESALQ subiu em todos os pregões e renovou recorde, a R$ 116,79 por saca de 50 kg.
No pano de fundo, a Selic segue em 14,00% ao ano, com o Copom reunido em 15 e 16 de setembro — a próxima decisão de juros ocorre já no início do ciclo seguinte. A prévia da inflação (IPCA-15 de agosto) segue como a leitura mais recente disponível: -0,40% no mês e 4,24% em 12 meses; o IPCA cheio de agosto é divulgado na semana seguinte a esta edição.
| Indicador | Leitura | Referência |
|---|---|---|
| Dólar comercial (PTAX) | R$ 5,1253 | fechamento 04/09 · ~-1,4% no ciclo |
| Açúcar cristal CEPEA/ESALQ | R$ 116,79 / saca 50 kg | 04/09 · recorde · +4,2% no ciclo |
| Selic (Copom) | 14,00% a.a. | mantida · próxima decisão 15-16/09 |
| IPCA-15 (agosto) | -0,40% no mês | 4,24% em 12 meses · 3,09% no ano |
As pontas de custo voltaram a divergir. O dólar mais baixo é um alívio para os insumos importados — resina PET, ácido cítrico e alumínio —, reduzindo a pressão sobre embalagem e acidulantes na virada para o verão. Mas o açúcar, maior insumo doméstico do refrigerante, seguiu na contramão e bateu recorde, comprimindo a margem de quem depende de xarope.
A Selic em 14% mantém caro o capital de giro justamente no momento de encher estoque para a alta temporada. E a reta final do ano traz o Imposto Seletivo como variável de custo para 2027: o PLOA já projeta R$ 41,9 bilhões de arrecadação, e as alíquotas devem vir por Medida Provisória em setembro.
No Congresso, o Orçamento de 2027 passa a tramitar com a estimativa do IS, e a expectativa é de MP das alíquotas ainda em setembro. É a principal frente a acompanhar para bebidas frias no curtíssimo prazo, ao lado da decisão do Copom, que pode ancorar (ou não) o custo do crédito para a temporada.
O ciclo entrega um alívio parcial: câmbio menor ajuda a embalagem e o acidulante, mas o açúcar recorde anula boa parte do ganho para quem tem xarope pesando no custo. Com a inflação baixa, há pouco espaço para repasse amplo — o caminho é reajuste cirúrgico por SKU, priorizando produtos com maior exposição ao açúcar e preservando o giro dos itens de entrada.
No calendário, dois marcos definem as próximas semanas: a decisão do Copom (15-16/09), que baliza o custo de financiar o estoque de verão, e a MP do Imposto Seletivo, que fixa a variável tributária de 2027. Recomendamos revisar agora a política de compras de açúcar (trava/estoque) e o planejamento de giro à luz de juros ainda em 14%.
Fontes: Banco Central do Brasil (PTAX e Selic); IBGE (IPCA-15 de agosto); CEPEA/ESALQ e Notícias Agrícolas (série do açúcar cristal).
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