A semana de 19 a 26/10 reuniu véspera de eleição, dólar abaixo de R$ 5 na sexta, inflação mais fraca na margem e um mercado em reprecificação na segunda.
A semana terminou com um fato político de efeito econômico imediato. No domingo, 25 de outubro, o 2º turno da eleição presidencial reelegeu Lula, com cerca de 51,8% dos votos válidos contra cerca de 48,2% de Flávio Bolsonaro, segundo a apuração reportada pela imprensa com mais de 99% das urnas. Na segunda, o mercado local, que apostava com otimismo na vitória da oposição, abriu em forte reação negativa. Esta matéria reúne os fatos da semana: eleição, câmbio, inflação e juros.
Na sexta-feira, 23 de outubro, o dólar comercial fechou a R$ 4,9931, queda de cerca de 0,9% no dia e de cerca de 1,6% na semana, abaixo de R$ 5 pela primeira vez desde 12/10. O Ibovespa fechou em 205.082,56 pontos. A PTAX de venda do dia foi de R$ 5,0377 (a PTAX é a média de janelas até as 13h e difere do fechamento do mercado). A semana teve um comportamento típico de véspera: ajuste de posições às pesquisas, com os juros futuros oscilando.
Após o resultado, as referências disponíveis antes da abertura de segunda indicavam forte pressão: o ETF que replica o mercado brasileiro em Nova York (EWZ) caiu cerca de 27% no pré-mercado, segundo o Money Times, e outros veículos citaram quedas de 19% a 20% no after-market do domingo e queda de 10% a 11% do real no mercado futuro. Não foi possível confirmar, até o fechamento desta edição, a cotação de abertura ou de fechamento do dólar à vista e do Ibovespa em 26/10. Esses números entram na próxima edição.
O IBGE divulgou em 23 de outubro o IPCA-15 de outubro: 0,32% no mês, contra 0,70% em setembro. No ano, o índice acumula 4,15% e, em 12 meses, 4,62%, contra 4,47% na leitura anterior e acima do teto de 4,5% da meta. Alimentação e bebidas subiram 0,88% no mês (alimentação no domicílio, 1,01%). O release não detalha refrigerantes, água, suco ou cerveja. O IPCA cheio de setembro, divulgado em 9 de outubro, foi de 0,82% no mês, 4,58% em 12 meses e 3,95% no ano.
A Selic está em 13,75% ao ano desde 17 de setembro, após o corte de 0,25 ponto percentual na reunião de 15 e 16/09. Não houve reunião do Copom na semana; a próxima está prevista para 3 e 4 de novembro, com decisão em 4/11. O boletim Focus de 19/10 trouxe IPCA de 2026 em 5,22%, Selic de fim de 2026 em 13,25%, câmbio de fim de 2026 em R$ 5,13 e PIB de 2026 em 1,83%. O Focus de 26/10 reflete pesquisa feita antes do resultado eleitoral. O pano de fundo, qualquer que seja o resultado, é a trajetória da dívida pública e o cumprimento das metas do arcabouço fiscal, que define o prêmio de risco e o custo de capital das empresas.
| Indicador | Valor | Data / referência | Fonte |
|---|---|---|---|
| Selic meta | 13,75% a.a. | Copom 15-16/09; próxima 03-04/11 | Banco Central |
| IPCA-15 outubro | 0,32% mês · 4,15% ano · 4,62% em 12 meses | IBGE, 23/10 | IBGE |
| IPCA setembro | 0,82% mês · 3,95% ano · 4,58% em 12 meses | IBGE, 09/10 | IBGE |
| Dólar comercial (fechamento) | R$ 4,9931 | 23/10 (sexta) | Imprensa econômica |
| PTAX (venda) | R$ 5,0377 | 23/10 | Banco Central |
| Focus: IPCA 2026 / Selic fim 2026 / câmbio fim 2026 | 5,22% / 13,25% / R$ 5,13 | Focus de 19/10 | Banco Central |
| 2º turno | Lula ~51,8% dos votos válidos; Flávio Bolsonaro ~48,2% | 25/10 | Imprensa (confirmar no TSE) |
Para os clientes, o momento pede gestão de cenários, não aposta. Primeiro, revisar as projeções de fluxo de caixa sob três hipóteses de câmbio e de juros, medindo o efeito no capital de giro e no serviço da dívida. Segundo, para quem tem exposição cambial em insumos importados, como PET e acidulantes, ou em dívida, avaliar proteção e repasses de preço antes de oscilações maiores. Terceiro, segurar decisões de investimento e de captação que possam esperar a clareza fiscal, sem travar o que é operacionalmente necessário.
No lado da inflação, a leitura é de janela parcial: o IPCA-15 desacelerou, mas o acumulado de 12 meses segue acima do teto da meta, o que pede cautela no repasse e na revisão de índices de contratos. Nossa controladoria transforma o ruído em número: sensibilidade do resultado e do caixa a cada cenário de dólar e de Selic, ponto de equilíbrio sob custo de capital mais alto e mapa das decisões que podem esperar. Alerta estratégico de gestão; não é recomendação de investimento nem prognóstico político.
Fontes: IBGE — IPCA-15 de outubro/2026 · Banco Central — Selic, PTAX e Focus · Money Times (26/10/2026) · Exame (26/10/2026). Conteúdo autoral da Conceito a partir de fontes públicas e oficiais.