Indicador CEPEA/ESALQ de São Paulo variou -0,24% de 16 a 23/10 e subiu 1,85% em duas semanas. PET e ácido cítrico, com as leituras públicas mais recentes e suas datas.
O açúcar cristal fechou a semana de 19 a 23 de outubro praticamente estável, em R$ 125,44 por saca de 50 kg, segundo o Indicador CEPEA/ESALQ de São Paulo. É um recuo de 0,24% sobre o fechamento de 16/10 (R$ 125,74) e uma alta de 1,85% em duas semanas, contra R$ 123,16 em 09/10. Depois de quatro altas seguidas, o mercado entrou em fase de acomodação. Nos demais insumos, as leituras públicas mais recentes mostram PET em patamar alto, com defasagem de dados, e ácido cítrico acima do piso de março, mas sem pressão nova.
A semana de 19 a 23/10 oscilou em faixa estreita, entre R$ 125,44 e R$ 125,98 (máxima em 22/10). O CEPEA registrou, no fechamento de 16/10, a maior alta semanal em cinco semanas (+2,1%), atribuída à menor oferta no Centro-Sul, prejudicada pelas chuvas, e à alta dos preços internacionais. Em 14/10, o próprio CEPEA havia observado que o câmbio mais fraco limitava o efeito da alta externa no mercado interno.
| Data | Indicador CEPEA/ESALQ SP (R$/saca 50 kg) | Variação diária |
|---|---|---|
| 09/10 | 123,16 | +0,46% |
| 13/10 | 123,78 | +0,50% |
| 14/10 | 123,94 | +0,13% |
| 15/10 | 124,68 | +0,60% |
| 16/10 | 125,74 | +0,85% |
| 19/10 | 125,62 | -0,10% |
| 20/10 | 125,52 | -0,08% |
| 21/10 | 125,59 | +0,06% |
| 22/10 | 125,98 | +0,31% |
| 23/10 | 125,44 | -0,43% |
Leitura semanal: 125,44 em 23/10 contra 125,74 em 16/10, queda de 0,24%. Leitura de duas semanas: +1,85% sobre 09/10. O patamar é o mais alto da sequência iniciada no fim de julho, quando a alta foi lenta.
Há sinais cruzados. De um lado, a oferta menor no Centro-Sul por causa das chuvas sustenta o físico em São Paulo. De outro, as manchetes de Reuters publicadas pelo NovaCana mostram o açúcar bruto em queda na bolsa de Nova York (ICE) por vários pregões seguidos até 23/10, e uma análise do BTG Pactual, divulgada em 21/10, vê os preços recuando a um “patamar de equilíbrio”. O dólar também pesa: a queda do câmbio até a sexta (R$ 4,99) reduz o preço em reais do açúcar de exportação e, por tabela, a referência interna. A abertura de 26/10, com forte pressão sobre o real após o 2º turno, pode inverter esse efeito. A leitura para a próxima edição depende dessas duas pontas.
A leitura pública mais recente de preço da resina PET no Brasil é a do ChemAnalyst para junho de 2026: US$ 1.553 por tonelada, com média trimestral de cerca de US$ 1.525 e alta de 27,82% sobre o trimestre anterior, atribuída a importações restritas, custos maiores de MEG e PTA e frete. A projeção da fonte é de firmeza no curto prazo. Não localizamos leitura pública de setembro ou outubro para o Brasil, e registramos essa defasagem de forma explícita.
Outras referências divergem em nível, porque usam metodologias diferentes. O IMARC aponta US$ 1.080 por tonelada no Brasil no 2º trimestre de 2026, com alta no período por demanda de envase de bebidas, e um levantamento de maio estimava cerca de US$ 1.050. As séries não são comparáveis entre si, e por isso não as misturamos. O ponto comum é a direção: PET firme ao longo do segundo trimestre, em linha com a alta do petróleo e dos insumos petroquímicos noticiada no período.
| Fonte | Referência | US$/t (Brasil) | Tendência |
|---|---|---|---|
| ChemAnalyst | Junho/2026 (2º tri/2026) | 1.553 (média do tri: ~1.525) | +27,82% sobre o tri anterior; firmeza esperada |
| IMARC Group | 2º tri/2026 | 1.080 | Alta no trimestre; estoques administráveis |
| Estimativa de mercado | 10/05/2026 | ~1.050 | Alta com petróleo e insumos |
A leitura mais recente é a de setembro de 2026, do IMARC, em US$ por quilo: Nordeste Asiático a 0,92 (-1,1% no mês), Sudeste Asiático a 1,30 (+2,4%), Europa a 1,65 (+4,4%), América do Sul a 1,39 (-3,5%) e América do Norte a 1,70 (-6,6%). Todas as regiões estão acima do nível de março de 2026. No Nordeste Asiático, referência para o acidulante importado pela indústria brasileira, o preço subiu de US$ 0,80/kg em março para US$ 0,92/kg em setembro, cerca de 15%, com leve queda no último mês. A fonte atribui a pressão de baixa recente à oferta ampla das plantas chinesas e à demanda fraca, e a recuperação desde março ao reequilíbrio de oferta. Para o Brasil, a leitura da América do Sul (US$ 1,39/kg, em queda de 3,5% no mês) é a mais próxima do preço de reposição.
| Região | Set/2026 (US$/kg) | Variação no mês | Mar/2026 (US$/kg) |
|---|---|---|---|
| Nordeste Asiático | 0,92 | -1,1% | 0,80 |
| Sudeste Asiático | 1,30 | +2,4% | 1,07 |
| Europa | 1,65 | +4,4% | 1,61 |
| América do Sul | 1,39 | -3,5% | 1,14 |
| América do Norte | 1,70 | -6,6% | 1,59 |
O quadro de custo para o fabricante de refrigerantes é de patamar alto e estável, e não de nova escalada. Açúcar: R$ 125,44 por saca, estável na semana. Embalagem: PET firme nas últimas leituras públicas. Acidulante: acima de março, com alívio no último mês. Recomendamos três providências. Primeiro, travar parte da compra de açúcar para o estoque de verão enquanto o indicador está em faixa estreita, e acompanhar o físico em São Paulo contra o ICE. Segundo, rever o prazo de compra de PET e de pré-formas com o fornecedor, já que a leitura pública está defasada e o dólar oscila após o 2º turno. Terceiro, simular a margem por SKU com açúcar a R$ 125 a R$ 130, PET nos níveis de junho e câmbio entre R$ 5,00 e R$ 5,50, com o Imposto Seletivo ainda como variável não precificada.
A Conceito monta essa sensibilidade na controladoria: custo por litro por insumo, efeito de cada 5% de alta no açúcar e no PET sobre a margem, e o preço mínimo que protege o resultado. Alerta de gestão, não recomendação de compra.
Fontes: Notícias Agrícolas — Indicador Açúcar Cristal CEPEA/ESALQ SP (série diária) · NovaCana/CEPEA (20/10/2026) · NovaCana/CEPEA (14/10/2026) · ChemAnalyst — PET · IMARC — PET · IMARC — ácido cítrico. Conteúdo autoral da Conceito a partir de fontes públicas e oficiais.