O adoçante voltou a subir puxado pelas bolsas internacionais, a resina PET segue elevada e o dólar a R$ 5,08 encarece todo insumo importado. A montagem do estoque de verão fica mais cara.
O principal insumo do refrigerante voltou ao centro das atenções. As referências do açúcar cristal CEPEA/ESALQ (São Paulo) iniciaram agosto firmes, com viés de alta, movimento diretamente ligado ao mercado internacional: as bolsas de Nova York (ICE Futures) e Londres (Liffe) renovaram máximas não vistas em várias décadas, arrastando o mercado spot paulista. Depois de meses de acomodação na faixa baixa, o quadro externo devolveu pressão altista ao adoçante.
Para o industrial de bebidas, açúcar em alta é a variável de custo mais sensível da formulação, sobretudo nas linhas de maior teor. A tendência de curto prazo é de firmeza, condicionada ao comportamento das bolsas internacionais e à taxa de câmbio, que amplifica qualquer movimento externo.
A resina PET grau garrafa mantém-se como o principal vetor de custo da embalagem. As referências chinesas do terceiro trimestre seguem em patamar elevado, e — por ser um insumo majoritariamente importado ou indexado ao dólar — o câmbio a R$ 5,08 encarece o material posto na fábrica. O alumínio da lata, negociado na LME, também permanece em nível alto. A pressão de custo, que no primeiro semestre estava concentrada no açúcar, migrou de forma consistente para a embalagem.
O ácido cítrico — acidulante essencial em refrigerantes e isotônicos —, com oferta concentrada na Ásia (China), segue nas referências do ano com preços firmes em dólar. Como todo importado, sofre o efeito direto do câmbio. Para as formulações que dependem de acidulantes e aromas importados, o real mais fraco é uma pressão persistente sobre o custo variável.
Com o dólar em R$ 5,08 no início de agosto, o câmbio funciona como multiplicador da pressão de custo. Resina PET, ácido cítrico, alumínio e aromas importados chegam mais caros à porta da fábrica. O único alívio recente — quando havia — vinha do açúcar; agora que o adoçante também virou, a montagem do custo do estoque de verão fica mais desafiadora.
| Insumo | Referência | Situação / tendência |
|---|---|---|
| Açúcar cristal | CEPEA/ESALQ — SP · 1ª semana de ago/2026 | Firme, viés de alta (ICE/Liffe em máximas) |
| Resina PET grau garrafa | Referência asiática · 3º tri/2026 | Patamar elevado; indexada ao dólar |
| Alumínio (lata) | LME · ago/2026 | Nível alto |
| Ácido cítrico | NE Ásia / China · 2026 | Firme em dólar; sensível ao câmbio |
| Dólar comercial | USD/BRL · início de ago/2026 | R$ 5,08 — pressiona todo importado |
Referências de mercado com base em fontes públicas (CEPEA/ESALQ e referências setoriais de embalagem/acidulantes). Valores indicativos, sujeitos a variação diária e à cor/tipo do indicador.
O quadro de insumos piorou na margem: o alívio que vinha do açúcar perdeu força e as três frentes — adoçante, embalagem e câmbio — pressionam juntas. A recomendação é proteger o custo antes do pico de verão: negociar contratos de açúcar e PET com antecedência, avaliar hedge cambial para a parcela importada (ácido cítrico, PET, alumínio) e revisar o mix priorizando SKUs de maior margem de contribuição. Repasse ao preço tem espaço estreito — com IPCA perto de 4,5%, ganho de eficiência e mix pesam mais do que reajuste.