O indicador CEPEA/ESALQ de 14 de agosto marcou R$ 97,90 por saca, o maior patamar do mês. Com o dólar em R$ 5,22, a conta do insumo importado piora — mas há uma exceção que merece decisão de compra imediata.
O Indicador CEPEA/ESALQ de açúcar cristal branco de São Paulo registrou, em 14 de agosto de 2026, o valor de R$ 97,90 por saca de 50 kg (com ICMS de 7%), equivalente a US$ 18,74. A leitura representa recuo de 0,42% no dia, mas alta de 6,99% no acumulado do mês.
A trajetória recente é inequívoca. A série saiu de R$ 91,50 em 31 de julho, recuou ao piso de R$ 90,82 em 3 de agosto e daí em diante subiu de forma contínua: R$ 96,02 em 7 de agosto, R$ 97,51 em 10 de agosto, R$ 98,31 em 13 de agosto — pico do período — e R$ 97,90 em 14 de agosto. São cerca de 7,8% de valorização desde o piso do mês, com apenas uma leve realização no último pregão.
O Indicador Açúcar Cristal Santos (FOB), referência para exportação, subiu ainda mais: R$ 120,26 por saca em 14 de agosto, com alta de 13,14% no mês (US$ 23,02). O diferencial entre o mercado doméstico e o de exportação é relevante porque indica para onde a oferta tende a fluir.
O driver reportado pelo CEPEA é de oferta: menor produção de açúcar no Centro-Sul, ainda que a moagem de cana esteja maior. A usina está direcionando mix, e o produto disponível para o mercado interno diminuiu.
O ácido cítrico é o insumo com a pior dinâmica de preço entre os acompanhados. A referência mais recente disponível aponta US$ 803 por tonelada no mercado chinês em junho de 2026, com alta de 33,85% no trimestre — a maior variação percentual de todo o painel de insumos. O benchmark CFR Busan registrou média de US$ 882,33 por tonelada no segundo trimestre, avanço de 26,41% sobre os US$ 698 do trimestre anterior.
O movimento é generalizado geograficamente: Estados Unidos a US$ 1.007,67 por tonelada (+26,70% no trimestre), Índia a US$ 1.080 em junho, Alemanha a US$ 964 CFR Hamburgo (+25,14%) e Argentina a US$ 970,67 (+27,66%). Quando todas as praças sobem na mesma direção e na mesma ordem de grandeza, o fenômeno é de custo de produção, não de arbitragem regional.
Os drivers reportados confirmam essa leitura: alta do milho — matéria-prima do processo fermentativo — e custo de energia na China, com exportadores priorizando embarque FOB em detrimento da venda doméstica, somados a frete de contêiner e prêmios de seguro elevados. Nenhum desses fatores mostra sinal de reversão no curto prazo.
A resina PET grau garrafa é o único insumo do painel com viés de baixa — e a assimetria entre o mercado asiático e o brasileiro é o dado mais acionável deste ciclo.
No mercado asiático, a avaliação de 10 de julho de 2026 apontou US$ 910 por tonelada para PET grau garrafa Ex-Shanghai. O valor está 18,8% abaixo do pico do ciclo, de US$ 1.120 por tonelada, ainda que 13,4% acima do patamar pré-crise. O cenário-base para agosto trabalha com a faixa de US$ 900 a US$ 960 por tonelada. O nível de US$ 900 funciona como referência técnica: rompimento consistente abaixo dele sinalizaria destruição de demanda, e não apenas deflação de custo.
A razão da divergência frente às demais resinas de embalagem é técnica: apenas a perna de MEG da cadeia do PET está exposta às tensões logísticas do Oriente Médio, o que impediu o PET de acompanhar a alta observada em HDPE, LDPE e PP no mesmo período.
No Brasil, porém, o quadro é oposto. A referência mais recente aponta US$ 1.553 por tonelada em junho de 2026, com média de US$ 1.525,33 no segundo trimestre em base FOB Santos — alta de 27,82% sobre o trimestre anterior, que registrara US$ 1.193,33. Convertido ao câmbio de 14 de agosto, o valor doméstico equivale a aproximadamente R$ 8.090 por tonelada, contra cerca de R$ 4.740 na referência asiática.
O prêmio de cerca de 70% reflete restrição de importação, custo de reposição de MEG e PTA, frete e seguro — e é reforçado pelo aumento de 20% no imposto de importação de resina, vigente até outubro de 2026. Não se trata, portanto, de um diferencial arbitrável de forma simples; mas é um diferencial grande o suficiente para justificar a comparação formal entre compra spot no mercado asiático e reposição doméstica.
| Insumo | Referência | Data / período | Variação | Tendência |
|---|---|---|---|---|
| Açúcar cristal — CEPEA/ESALQ SP | R$ 97,90 / saca 50 kg (US$ 18,74) | 14/08/2026 | +6,99% no mês | Alta firme |
| Açúcar cristal Santos (FOB) | R$ 120,26 / saca (US$ 23,02) | 14/08/2026 | +13,14% no mês | Alta forte |
| Resina PET grau garrafa — Ásia | US$ 910 / tonelada (Ex-Shanghai) | 10/07/2026 | −18,8% vs. pico do ciclo | Baixa |
| Resina PET grau garrafa — Brasil | US$ 1.553 / tonelada (≈ R$ 8.090) | Junho/2026 · FOB Santos | +27,82% no trimestre | Alta |
| Ácido cítrico — China | US$ 803 / tonelada | Junho/2026 | +33,85% no trimestre | Alta forte |
| Ácido cítrico — CFR Busan | US$ 882,33 / tonelada (média) | 2º trimestre/2026 | +26,41% no trimestre | Alta forte |
| Dólar comercial | R$ 5,2213 | Fechamento 14/08/2026 | +2,68% na semana | Alta |
Açúcar: última leitura publicada da série CEPEA/ESALQ. PET e ácido cítrico: referências mensais e trimestrais mais recentes disponíveis — não há indicador público de periodicidade semanal para esses insumos no Brasil; ABIPET e ABIPLAST divulgam volume e faturamento setorial, não série de preços. Conversões em reais são indicativas, calculadas ao câmbio de 14/08/2026.
A leitura isolada de cada insumo subestima o problema. O que caracteriza este ciclo é a simultaneidade: o adoçante sobe no mercado doméstico, o acidulante sobe no mercado internacional e o câmbio sobe sobre tudo o que é importado. A embalagem é o único componente que oferece contrapartida — e apenas se a empresa tiver flexibilidade de origem de compra.
Para um refrigerante convencional em PET, açúcar e embalagem respondem tipicamente pela maior parcela do custo variável de produção, com o acidulante em posição menor em valor absoluto, porém com altíssima sensibilidade percentual — uma variação de 33,85% em um trimestre é difícil de absorver sem revisão de formulação de custo. O efeito líquido, considerando o câmbio de R$ 5,2213, é de pressão altista sobre o custo unitário justamente no período de formação do estoque de verão.
E esse é o ponto de tensão do trimestre: a pressão de custo se manifesta no mesmo momento em que o grupo Alimentação e bebidas apresenta deflação no IPCA e a Selic ainda opera a 14,00% ao ano. Custo subindo, repasse travado e giro caro.
Três decisões de compra se impõem neste ciclo, com prioridades distintas. Açúcar: a janela está se fechando — a alta de 6,99% no mês é consistente e o driver é de oferta no Centro-Sul, não especulativo. Recomendamos avaliar antecipação de volume para a cobertura do verão, com atenção ao diferencial de 23% entre o indicador doméstico e o de Santos, que sinaliza para onde a oferta tende a fluir. Ácido cítrico: é o maior risco de custo do painel e a janela já se fechou — +33,85% em um trimestre, com milho e energia pressionados na China e sem sinal de reversão. Recomendamos travar volume contratado e, se possível, prazo, aceitando o patamar atual como o melhor disponível. Resina PET: é a única mesa em que o comprador tem posição favorável, mas apenas no mercado asiático — o Brasil está descolado e em alta de 27,82% no trimestre, com imposto de importação majorado até outubro. A recomendação é fazer a comparação formal entre spot asiático e reposição doméstica, incluindo frete, seguro, imposto e prazo de trânsito; o diferencial de cerca de 70% é grande o bastante para que a conta feche mesmo com todos os custos de internalização. Por fim, uma ressalva de método: para açúcar há série diária e confiável; para PET e ácido cítrico as referências disponíveis são mensais e trimestrais, o que exige recalcular a premissa de custo a cada nova publicação, e não presumir estabilidade entre leituras.