O painel de insumos do refrigerante teve uma semana de forte assimetria. O açúcar cristal, maior item de custo doméstico da bebida, disparou e fechou o ciclo em R$ 104,37 por saca de 50 kg (indicador CEPEA/ESALQ, São Paulo, 21/08) — alta de 6,6% em relação a 14/08 (R$ 97,90). Na contramão, a resina PET segue como o único insumo relevante em que o comprador mantém poder de barganha, e o ácido cítrico permanece em patamar elevado herdado do trimestre.
O indicador subiu em todos os pregões do ciclo. A série diária CEPEA/ESALQ mostra a trajetória sem interrupção, com destaque para os saltos de 18/08 (+2,33%) e 20/08 (+1,83%):
| Data | R$/saca 50kg | Variação diária |
|---|---|---|
| 14/08/2026 | 97,90 | -0,42% |
| 17/08/2026 | 99,94 | +2,08% |
| 18/08/2026 | 102,27 | +2,33% |
| 19/08/2026 | 102,49 | +0,22% |
| 20/08/2026 | 104,37 | +1,83% |
| 21/08/2026 | 104,37 | 0,00% |
A alta doméstica acompanha o mercado externo. Em Nova York, o açúcar subiu mais de 6% na semana, sustentado pela preocupação com a oferta global e por revisões que ampliam o déficit mundial projetado. No mercado interno, a menor produção de açúcar no Centro-Sul — mesmo com boa moagem de cana — mantém as usinas firmes na venda. Para a indústria de bebidas, é o pior tipo de alta: concentrada no maior insumo, com fundamento externo e sem sinal claro de reversão no curto prazo.
A resina PET grau garrafa mantém-se como a exceção do painel. As avaliações da ChemAnalyst para agosto de 2026 apontam nova pressão de alta nos polímeros de embalagem, liderada por HDPE e LDPE, mas com o PET como exceção — o grau em que o comprador ainda concentra poder de negociação. A oferta asiática pesa sobre o preço internacional e sustenta um prêmio relevante da resina doméstica sobre a importada, o que justifica manter comparação formal entre compra spot e reposição interna antes de fechar volume.
Com o dólar em recuo no mesmo ciclo, a janela para reposição de PET importado fica ainda mais interessante do lado do custo — a combinação de câmbio cedendo e preço internacional contido é rara e merece ser aproveitada com disciplina.
O ácido cítrico segue no ponto mais sensível do painel de acidulantes. Depois da forte escalada do trimestre anterior na origem asiática — puxada por custos de milho e energia na China e por oferta ajustada —, o insumo permanece em patamar elevado, sem sinal consistente de recuo. É um custo que entra em praticamente toda a linha de refrigerantes e sucos, e a gestão de contratos e de estoque de segurança segue sendo a melhor defesa contra novos choques de origem.
A semana reforça a regra de ouro do custo de bebidas: o açúcar manda no resultado. Uma alta de 6,6% no maior insumo doméstico, com respaldo externo, comprime a margem de forma mais eficaz do que qualquer oscilação de embalagem. A recomendação é escalonar a compra de açúcar para diluir o pico e revisar o repasse de preço à luz do novo patamar — sem esperar o próximo choque.
Na embalagem, o cenário é oposto e favorável: PET contido e dólar em queda abrem janela para travar parte da necessidade. É o momento de tratar compras como duas frentes distintas — defensiva no açúcar, ofensiva no PET — e não como um único bloco de custo.