O cristal subiu em todos os pregões da semana e renovou máxima. A resina PET permanece o insumo mais comportado no exterior, limitada por sobretaxa e reciclado; o ácido cítrico tem piso oficial reajustado.
Indicadores de insumos do setor de refrigerantes — açúcar cristal CEPEA/ESALQ (SP), resina PET grau garrafa e ácido cítrico — com as leituras mais recentes disponíveis no ciclo.
O Indicador do açúcar cristal CEPEA/ESALQ (São Paulo) subiu em todos os pregões da semana e fechou sexta-feira, 28/08, a R$ 112,06 por saca de 50 kg — novo recorde. Frente aos R$ 104,37 de 21/08, a alta do ciclo é de cerca de 7,4%, na sequência de uma escalada que já vinha de semanas anteriores. É o maior insumo doméstico do refrigerante sob pressão contínua, e o movimento comprime a margem no ponto onde ela mais dói.
| Data (fechamento) | R$/saca 50 kg | Variação diária |
|---|---|---|
| 24/08/2026 | 105,51 | +1,09% |
| 25/08/2026 | 106,52 | +0,96% |
| 26/08/2026 | 107,98 | +1,37% |
| 27/08/2026 | 110,59 | +2,42% |
| 28/08/2026 | 112,06 | +1,33% |
O respaldo veio do mercado externo e da oferta. Durante a semana, o açúcar avançou nas bolsas com a previsão de queda de produção na União Europeia e oferta global mais restrita. Na sexta, porém, o contrato de Nova York (Out/26) recuou 3,46%, a 17,56 cents/lb, pressionado pela desvalorização do real — que torna a exportação brasileira mais competitiva e ajuda a aliviar o preço internacional. No mercado interno, contudo, a menor produção no Centro-Sul sustentou a alta.
A resina PET grau garrafa segue como a exceção relativamente estável do painel: a referência de mercado no Brasil rondava US$ 1.080/t no segundo trimestre de 2026, dentro de uma faixa que oscilou entre cerca de US$ 916/t e o pico de US$ 1.310/t em março. Mas há dois pedágios: o aumento de 20% na alíquota de importação, em vigor até outubro, e a exigência do Decreto 12.688 de 22% de conteúdo reciclado nas garrafas em 2026 — pressões estruturais de custo que convivem com o preço internacional mais comportado. E, com o dólar de volta à alta, a janela de importação se estreita.
No ácido cítrico, insumo majoritariamente importado da China, a referência mais recente é regulatória: a SECEX atualizou, em circular de 7 de agosto, o preço mínimo de exportação aplicável a produtores chineses (NCM 2918.14.00 e 2918.15.00) para US$ 1.282,28/t CIF, no âmbito da medida antidumping. O patamar elevado herdado do trimestre se mantém, e o câmbio em alta amplia o custo em reais do acidulante.
A leitura combinada é de pressão nas duas pontas domésticas — açúcar em recorde e câmbio reonerando o importado — com apenas o preço internacional do PET oferecendo respiro, e ainda assim limitado por sobretaxa e exigência de reciclado. Para a formação de custo do verão, o mix de compra precisa ser ativo: escalonar açúcar, aproveitar janelas de PET com hedge cambial e monitorar o piso do ácido cítrico.
O painel de insumos entra em setembro com o açúcar como o principal vilão: recorde de R$ 112,06 a saca e alta de ~7,4% só no ciclo, com respaldo externo e oferta doméstica menor. É o item que mais pesa e o que menos perdoa — a defesa passa por compra escalonada e contratos que evitem travar todo o volume no topo.
O PET continua a ser o único insumo relevante com preço internacional a favor do comprador, mas a vantagem é corroída pela sobretaxa de 20% até outubro, pela exigência de 22% de reciclado e pelo dólar de volta à alta. E o ácido cítrico tem piso oficial reajustado, sem alívio à vista. Conclusão operacional: mix de compra ativo, hedge tático no câmbio e simulação de custo do SKU de verão sob o açúcar em recorde.