O indicador CEPEA/ESALQ do açúcar cristal subiu em todos os pregões da primeira semana de setembro e cravou novo recorde, a R$ 116,79 por saca de 50 kg. Do lado importado, o recuo do dólar amortece o custo da resina PET e do ácido cítrico, mas a sobretaxa de importação ainda limita o repasse do preço externo mais baixo.
O cristal CEPEA/ESALQ não deu trégua na primeira semana de setembro: subiu em todos os pregões e fechou 04/09 a R$ 116,79 por saca de 50 kg, novo recorde da série. Em relação ao encerramento do ciclo anterior (R$ 112,06 em 28/08), a alta é de 4,2% no período — e de cerca de 11% em pouco mais de duas semanas.
| Pregão (2026) | R$/saca 50 kg | Variação diária |
|---|---|---|
| 04/09 | 116,79 | +0,59% |
| 03/09 | 116,11 | +0,61% |
| 02/09 | 115,41 | +0,79% |
| 01/09 | 114,51 | +0,67% |
| 31/08 | 113,75 | +1,51% |
| 28/08 (ciclo anterior) | 112,06 | +1,33% |
Dois fatores explicam o movimento. No mercado interno, a produção de açúcar do Centro-Sul recuou 7,9% na 1ª quinzena de agosto, segundo dados oficiais, reduzindo a oferta disponível. No externo, a volatilidade das bolsas de Nova York e Londres e as dúvidas sobre importações da Índia mantiveram o mercado nervoso, com respaldo para os preços domésticos.
Para o fabricante de refrigerantes, o açúcar é o maior insumo doméstico do xarope. Um cristal em patamar recorde comprime diretamente a margem de contribuição dos produtos adoçados com açúcar, especialmente nas linhas de maior volume.
A resina PET grau garrafa segue mais comportada no exterior — referência em torno de US$ 1.080/tonelada — e o recuo do dólar (R$ 5,1253 em 04/09) ajuda a baratear o custo em reais. O alívio, porém, é parcial: permanece a sobretaxa de importação de 20% vigente até outubro e a exigência de conteúdo reciclado, que encarecem a resina posta no Brasil e limitam o repasse do preço externo mais baixo.
O ácido cítrico — acidulante essencial em refrigerantes e isotônicos, majoritariamente importado da Ásia — mantém o piso oficial da SECEX em torno de US$ 1.282,28/tonelada como referência recente. Com o dólar em queda no ciclo, o custo em reais tende a ceder na margem, mas a dependência da oferta chinesa mantém o item sensível a câmbio e a frete internacional.
O balanço do ciclo é desfavorável para quem tem açúcar pesando no custo. A queda do dólar ajuda embalagem e acidulante, mas a sobretaxa de 20% sobre o PET importado retém parte do benefício, e o açúcar recorde domina a conta. Sugerimos revisar a política de compra de açúcar (trava de preço, estoque estratégico) antes da alta temporada e monitorar o fim da sobretaxa do PET em outubro, que pode abrir janela de custo mais favorável para embalagem.
No curto prazo, a defesa de margem passa por engenharia de mix: priorizar SKUs menos expostos ao açúcar, avaliar formatos e gramaturas de embalagem e ajustar preço de forma seletiva, dado o baixo espaço de repasse com a inflação em desaceleração.
Fontes: CEPEA/ESALQ e Notícias Agrícolas (açúcar cristal); SECEX/MDIC (piso do ácido cítrico); ChemAnalyst (resina PET).
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