O cristal CEPEA/ESALQ subiu em todos os pregões do ciclo e cravou novo recorde. Na ponta importada, o dólar mais baixo e o PET barato lá fora amenizam o custo — o ácido cítrico segue ancorado no piso SECEX.
O indicador do açúcar cristal CEPEA/ESALQ (São Paulo) avançou em todos os pregões do ciclo e fechou 11 de setembro a R$ 119,18 a saca de 50 kg, novo recorde da série. No ciclo (de 08 a 11/09), a alta foi de cerca de 2,0%, dando sequência à trajetória de máximas históricas observada desde o fim de agosto. O movimento pressiona diretamente a formação do xarope — o açúcar é o principal insumo doméstico da bebida.
| Fechamento | R$/saca 50 kg | Variação diária |
|---|---|---|
| 08/09/2026 | 117,34 | +0,47% |
| 09/09/2026 | 118,28 | +0,80% |
| 10/09/2026 | 119,11 | +0,70% |
| 11/09/2026 | 119,18 | +0,06% |
Como referência, o ciclo anterior havia encerrado em 04/09 a R$ 116,79 — ou seja, o cristal seguiu firme e renovou o topo. No mercado externo, o açúcar operou em queda nas bolsas de Nova Iorque e Londres no fim do ciclo, mas o indicador doméstico manteve-se sustentado pela oferta restrita de produto de melhor qualidade.
A resina PET grau garrafa segue relativamente barata no mercado internacional — referências recentes situam o material na faixa de ~US$ 1.020/t (índices de setembro), abaixo dos picos do início do ano. Com o dólar em queda (PTAX de R$ 5,0918 em 11/09), o custo em reais do insumo importado cede na margem. O componente que ainda trava parte do alívio é a sobretaxa sobre importações vigente no período, que limita o repasse integral do preço externo mais baixo.
O ácido cítrico, acidulante essencial de refrigerantes, mantém como referência o piso SECEX de US$ 1.282,28/t — preço mínimo de importação que baliza as compras do setor. Sem leitura de spot mais nova que altere o quadro no ciclo, a referência permanece estável; o alívio prático vem, novamente, do câmbio mais baixo sobre o valor em reais.
Para o fabricante, o balanço do ciclo é de compensação parcial. Na ponta importada — PET, ácido cítrico, alumínio — o câmbio favorável reduz a pressão. Na ponta doméstica, o açúcar em máxima histórica comprime a margem do xarope e neutraliza parte do alívio. O resultado líquido depende do peso relativo de cada insumo no mix de cada empresa e do grau de verticalização no açúcar.
Com açúcar em recorde e câmbio ajudando o importado, a defesa da margem é cirúrgica e por insumo: aproveitar a janela do dólar para travar PET e cítrico (contratos/hedge onde fizer sentido) enquanto se administra a exposição ao açúcar via mix, formulação e negociação de fornecimento. Repasse amplo de preço está difícil — a inflação em desaceleração tira espaço —, então a conta fecha mais pela eficiência do que pelo aumento de tabela.
Reprodução de indicadores com base em fontes públicas (CEPEA/ESALQ, Notícias Agrícolas, SECEX/MDIC, ChemAnalyst); não substitui as publicações originais.
Fontes: Indicador do Açúcar Cristal CEPEA/ESALQ — Notícias Agrícolas · CEPEA/ESALQ.