No ciclo, o cristal CEPEA/ESALQ subiu para R$ 120,05 a saca de 50 kg, mantendo-se junto às máximas históricas. O dólar voltou a ~R$ 5,16 e devolveu parte do alívio recente sobre resina PET e ácido cítrico. O maior custo doméstico continua sendo o açúcar.
O Indicador do Açúcar Cristal CEPEA/ESALQ (SP) fechou 18/09/2026 a R$ 120,05 a saca de 50 kg, com alta de 0,39% no dia. Ante o fechamento do ciclo anterior (R$ 119,18 em 11/09), o cristal avançou cerca de 0,7% na semana, mantendo-se colado às máximas históricas da série.
Segundo o CEPEA, a sustentação de preços vem da oferta restrita no mercado paulista: boa parte do açúcar já está comprometida com a indústria doméstica e com a exportação, e a queda de produtividade ligada ao período seco levou as usinas a limitar ainda mais a disponibilidade para o mercado spot. No exterior, contudo, o açúcar operou em queda nas bolsas de Nova Iorque e Londres, rondando mínimas de três semanas — sinal de que a pressão altista é mais doméstica do que global.
| Insumo | Referência | Data / base | Tendência no ciclo |
|---|---|---|---|
| Açúcar cristal (CEPEA/ESALQ-SP) | R$ 120,05 / saca 50 kg | fechamento 18/09/2026 | Alta (~+0,7% no ciclo); perto do recorde |
| Resina PET grau garrafa (ref. importação) | ~US$ 1.000–1.020 / t | referência mensal recente | Estável no exterior; dólar maior encarece o real |
| Ácido cítrico (piso SECEX/antidumping) | US$ 1.282,28 / t | piso vigente | Estável; custo em real sobe com o câmbio |
| Dólar (PTAX, referência) | ~R$ 5,16 | 18/09/2026 | Leve alta no ciclo (~+1,3%) |
A resina PET grau garrafa segue barata no mercado internacional, em torno de US$ 1.000 a 1.020 por tonelada na referência mais recente, refletindo oferta asiática abundante. O ácido cítrico mantém o piso SECEX de US$ 1.282,28/t aplicado às importações, principalmente de origem chinesa. Ambos são cotados em dólar — e é aí que mora a novidade do ciclo: com o câmbio voltando a ~R$ 5,16 (ante R$ 5,09 na semana anterior), parte do alívio recente sobre esses importados foi devolvida na conversão para reais.
Para a formação de custo do refrigerante, o ciclo entrega um quadro misto: o açúcar — maior componente doméstico do xarope — segue firme e perto do recorde, comprimindo a margem; enquanto resina PET e ácido cítrico, baratos no exterior, tiveram parte do alívio anulada pelo dólar mais alto. O resultado líquido é pressão de custo persistente, agora sem o amortecedor cambial que ajudou nas semanas anteriores.
O pano de fundo reforça o alerta: com a formação do estoque de verão em curso e o crédito ainda caro (Selic a 13,75%), antecipar compras de insumo tem custo financeiro relevante. A defesa é planejar a compra por SKU, travando açúcar quando houver janela e aproveitando o PET barato antes de eventual nova alta do câmbio.
O sinal do ciclo é de custo pressionado por dentro: o açúcar não cede e o câmbio deixou de ajudar. Como o insumo doméstico (açúcar) pesa mais que o importado no xarope, o efeito líquido na margem é negativo, mesmo com PET barato lá fora. A recomendação prática é gestão de compras por SKU: fixar açúcar em janelas favoráveis, comprar resina PET aproveitando o preço internacional baixo e monitorar o dólar de perto, porque é ele que transforma um insumo barato em custo caro no real.
Conteúdo autoral produzido a partir de fontes públicas; valores de mercado são referenciais e variam ao longo do dia.
Fontes: CEPEA/ESALQ — Açúcar · Notícias Agrícolas — cotação CEPEA · SECEX/MDIC · ChemAnalyst.