O cristal CEPEA/ESALQ fechou o ciclo em R$ 120,62 a saca de 50 kg, com alta na semana ante o fechamento anterior. Nos importados, a leitura mais recente disponível (segundo trimestre de 2026) mostra resina PET e ácido cítrico em forte alta internacional — e o dólar, de volta a R$ 5,1991, amplia o efeito desses insumos no custo em real.
O Indicador do Açúcar Cristal CEPEA/ESALQ (SP) fechou em R$ 120,62 a saca de 50 kg no pregão de 25/09/2026, com recuo de 0,42% no próprio dia, mas em alta na comparação semanal frente ao fechamento do ciclo anterior (R$ 120,05, em 18/09) — o indicador segue, portanto, colado às máximas históricas da série, mesmo com oscilação diária.
O padrão se repete: a sustentação de preço no mercado doméstico contrasta com um cenário mais ameno nas bolsas internacionais, reforçando que a pressão sobre o açúcar brasileiro tem origem, principalmente, na disponibilidade restrita no mercado interno — parte da produção já comprometida com contratos de exportação e com a demanda da própria indústria.
| Insumo | Referência / região | Período-base | Tendência |
|---|---|---|---|
| Açúcar cristal (CEPEA/ESALQ-SP) | R$ 120,62 / saca 50 kg | fechamento 25/09/2026 | Alta na semana; recuo de 0,42% no dia; perto do recorde |
| Resina PET grau garrafa — Brasil/América do Sul | US$ 1.553 / t | fechamento do 2º trimestre de 2026 (última leitura disponível) | Alta de 27,8% no trimestre |
| Resina PET grau garrafa — EUA | US$ 1.530 / t | 2º trimestre de 2026 | Alta de 28,7% no trimestre |
| Ácido cítrico — China | US$ 803,0 / t | 2º trimestre de 2026 (última leitura disponível) | Alta de 33,9% no trimestre |
| Ácido cítrico — Coreia do Sul | US$ 882,3 / t (média trim.) | 2º trimestre de 2026 | Alta de 26,4% no trimestre |
| Dólar (PTAX, referência) | R$ 5,1991 | 25/09/2026 | Alta de ~1,6% no ciclo (desde 22/09) |
Sobre resina PET e ácido cítrico: a leitura mais recente confirmada em fontes especializadas (ChemAnalyst) corresponde ao fechamento do segundo trimestre de 2026 — não foi localizada divulgação de dado mensal mais novo (julho, agosto ou setembro) até o fechamento desta edição. A Conceito mantém o dado mais atual disponível e sinaliza explicitamente a defasagem, em vez de reportar uma leitura desatualizada como se fosse do ciclo corrente.
Ao contrário do padrão observado em ciclos anteriores (resina e ácido cítrico relativamente estáveis no exterior), o dado mais recente disponível mostra forte alta trimestral em ambos os insumos: a resina PET grau garrafa subiu 27,8% no Brasil/América do Sul (para US$ 1.553/t) e até 61,9% na Alemanha, atribuída pelas fontes do setor a disponibilidade restringida de matérias-primas (MEG e PTA) e custos de logística. O ácido cítrico chinês avançou 33,9% no trimestre (para US$ 803,0/t), puxado por forte demanda de exportação, enquanto a referência sul-coreana subiu 26,4%.
Como ambos os insumos são cotados em dólar, a alta do câmbio no ciclo (dólar de referência em R$ 5,1991, ante ~R$ 5,1161 no início do ciclo) amplia, na conversão para reais, o efeito dessa alta internacional — o que configura uma dupla pressão de custo sobre insumos importados: preço internacional em alta e câmbio também subindo.
Para a formação de custo do refrigerante, o ciclo confirma um quadro de pressão generalizada: o açúcar — maior componente doméstico do xarope — segue firme e perto do recorde; a resina PET, usada na embalagem, mostra a maior alta trimestral registrada nas últimas leituras; e o ácido cítrico, insumo do xarope, acompanha o mesmo movimento de alta internacional. Com o dólar também subindo no ciclo, os três principais insumos monitorados apontam na mesma direção: custo em alta.
O contexto se soma a uma Selic ainda em patamar elevado (13,75% a.a., sem novo corte no ciclo) e ao início da formação do estoque de verão — o que torna o custo financeiro de antecipar compras de insumo mais relevante do que em ciclos de juro em queda. A defesa recomendada é negociar volumes e prazos com fornecedores de PET e ácido cítrico antes de eventual repasse integral da alta trimestral, e monitorar o câmbio diariamente, já que ele determina se a alta internacional chega ou não ao custo final em reais.
O sinal do ciclo é de custo pressionado nas duas pontas: o insumo doméstico (açúcar) não cede, e os insumos importados (PET e ácido cítrico) mostram a maior alta trimestral das últimas leituras, ainda ampliada pelo câmbio em alta. Diferente de ciclos anteriores, em que o dólar mais baixo compensava parte da alta internacional, agora as duas variáveis se somam contra a margem. A recomendação prática segue sendo gestão de compras por SKU — mas com urgência maior: travar açúcar em janelas favoráveis, negociar volume de PET e ácido cítrico com fornecedores antes de repasses integrais, e acompanhar o câmbio como variável central de decisão de compra nas próximas semanas.
Conteúdo autoral produzido a partir de fontes públicas; valores de mercado são referenciais e variam ao longo do dia. A leitura de PET e ácido cítrico corresponde ao dado trimestral mais recente disponível nas fontes consultadas.
Fontes: CEPEA/ESALQ — Açúcar · Notícias Agrícolas — cotação CEPEA · ChemAnalyst — PET · ChemAnalyst — Ácido Cítrico.